A
Andropausa
Há muito
se fala sobre a menopausa e a reposição hormonal feminina. No entanto,
poucos homens sabem que, por volta dos 50 anos, há um declínio da taxa
de testosterona, hormona cuja função principal é preservar as
características masculinas. E, assim como nas mulheres, essa redução
acarreta sintomas, como alterações no humor, perda da libido,
afinamento dos pêlos, diminuição do raciocínio lógico e, em alguns
casos, osteoporose. No campo psicológico, ele fica desmotivado e perde
o interesse pela vida. Embora nem todo homem sofra a chamada
"andropausa", aqueles que sentem seus efeitos correm para os
consultórios dos urologistas em busca da reposição hormonal masculina.
De acordo com o urologista Adriano Fregonesi, esses são os principais
sintomas que caracterizam a andropausa, termo que está em substituição
pelo meio médico. Ele explica que, diferente da mulher, quando acaba a
menstruação, no homem nenhum processo é interrompido. O que ocorre, na
verdade, é a diminuição gradual da hormona masculina, responsável
pelas alterações físicas e psicológicas. Por isso, a denominação mais
adequada é "Declínio hormonal do homem idoso".
O urologista Joaquim de Almeida Claro, explica que, a partir dos
40 anos, a taxa de testosterona começa a decrescer, mas os sintomas
vão surgir apenas por volta dos 50 anos. Segundo ele, quando o homem
apresenta essas alterações, são necessários exames laboratoriais para
verificar a diminuição do hormona. Constatado o diagnóstico, é preciso
fazer novos exames antes de submeter o paciente à reposição. "Esse
tratamento é contra-indicado para aqueles que apresentam algum factor
de risco, como o sangue espesso, e tipos de distúrbios do sono. A
possibilidade de o paciente apresentar câncer de próstata deve estar
descartada, já que a reposição hormonal pode provocar o avanço da
doença", alerta o especialista.
Actualmente, o tratamento pode ser feito via cutânea, por comprimidos
e injecções. Para Joaquim, os medicamentos orais são menos eficazes
porque geram efeitos colaterais. Já a reposição injectável, embora
mais barata, não é ideal porque o paciente recebe uma quantidade alta
do hormona a cada 21 dias. Na opinião dos dois urologistas, a
reposição mais adequada é pela via cutânea, por meio de gel e
adesivos.
Este método faz com que o homem receba uma pequena dose de
testosterona todos os dias, similar à função natural do organismo.
"Com o acompanhamento médico e aplicado de maneira correcta, o
tratamento praticamente não produz efeitos colaterais", destaca
Joaquim. A reposição hormonal por métodos naturais, assim como nas
mulheres, ainda é polémica. Segundo Fregonesi, suspeita-se de que a
planta Tribulus terrestris tenha uma actividade androgénica, mas ainda
não há nada comprovado.
O meio médico desconhece porque alguns homens precisam da reposição, e
outros não. Porém, sabe-se que o stress reduz a testosterona e as
actividades físicas de intensidade, por outro lado, estimulam a
produção do hormona. Por isso, melhorar a qualidade de vida poderá
reduzir os sintomas da "andropausa". Também é importante que os homens
a partir dos 40 anos visitem o urologista regularmente e façam, no
mínimo uma vez ao ano, o exame da próstata. "O cancro nessa região é o
mais frequente entre os homens, e o segundo que mais mata", aponta
Joaquim.
