"O Corpo Humano como nunca o viu antes"


A controversa mostra "O Corpo Humano como nunca o viu antes" encerra a 24 de Outubro. Em causa está a 'matéria-prima' utilizada para explicar a nossa verdadeira natureza.

A exposição "Corpo Humano como nunca o viu..." ("Bodies - The Exhibition", no original), que chocou e ao mesmo tempo fascinou milhões de pessoas em todo o mundo.

A iniciativa mostra a anatomia do corpo humano em todas as dimensões, para tomarmos consciência da nossa complexa "máquina". Perante dezenas de cadáveres e centenas de orgãos, o visitante terá a oportunidade de aprender mais sobre as funções vitais do próprio corpo. Porém, apesar do objectivo traçado, o método e a matéria-prima utilizados continuam a ser o centro da discórdia.


Estão patentes «espécimes humanos reais para oferecer um manual visual» do corpo, refere o comunicado oficial. O processo a partir do qual foi possível organizar a exposição tem suscitado um coro de críticas a nível mundial. Os espécimes foram alvo de métodos de preservação para travar a decomposição e permitir a dissecação de «sistemas e estruturas específicos» .
 

  Gunther von Hagens, conhecido como o «escultor de cadáveres» ou o «Salvador Dali do corpo humano», tem vindo a enfrentar forte contestação por, alegadamente, ter comprado cadáveres de vítimas de execução na China. Em 2004, a Sociedade Internacional de Direitos Humanos chegou a exigir, em vão, o fim da exposição itinerante que tem recolhido em todo o mundo severas críticas e rasgados elogios.

O "Corpo Humano como nunca o viu..." vai estar patente até 24 Outubro no Palácio dos Condes do Restelo, em Lisboa.
 
Preconizado pelo alemão Gunther von Hagen, o método da "polimerização" resume-se na imersão do espécime ou orgão dissecado «em acetona para evacuar toda a água do corpo» . Posteriormente, leva um «banho de polímero de silicone [como silicone de borracha ou o poliester]» e é «selado numa câmara em vácuo» . A «acetona sai do corpo em forma de gás e é substituída pelo polímero de silicone até ao nível celular mais profundo; O polímero de silicone endurece» e assim o espécime é preservado de uma forma perfeita, como se tivesse vida já que consegue manter o relevo original e a identidade celular.
 
 
     Ver é Saber  

O estudo da anatomia humana funcionou sempre sobre um princípio básico: Ver é Saber. Este mesmo princípio levou as culturas egípcia, grega, romana e islâmica a uma compreensão cada vez mais científica da forma humana.. As dissecções públicas durante o Renascimento aumentaram este conhecimento, estabelecendo as bases para as nossas instituições médicas modernas e para esta exposição.

Seguindo este princípio, a exposição O Corpo Humano como nunca o viu utiliza espécimes humanos reais para lhe oferecer um manual visual do seu próprio corpo.

Os espécimes nesta exposição foram tratados com a dignidade e respeito que merecem.

 
 


Os nossos corpos são de facto mais complexos e maravilhosos que todos os computadores que nos rodeiam hoje em dia. Mas muitos de nós não sabem o que temos debaixo da pele – como o corpo funciona, do que necessita para sobreviver, o que o destrói, o que o reanima.


O Corpo Humano como nunca o viu, é uma tentativa de remediar este infeliz conjunto de circunstâncias. Aproveite o conhecimento obtido na Exposição, alargue-o e utilize-o para ser um participante informado nos seus cuidados de saúde. Isto envolve mais que melhorar a dieta ou iniciar um programa de exercício há muito prometido. Envolve ser um parceiro do médico de forma a compreender aquilo de que necessita, juntamente com o seu corpo exclusivo, para sustentar uma vida preenchida e com recompensas.

 

 

 

 

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