Anti-inflamatório Tópico
Terapia Contra a Dor no Trauma Desportivo
A
actividade desportiva constante e orientada é fundamental para uma boa
saúde, reduzindo substancialmente os factores de risco para várias
doenças, principalmente doenças do aparelho circulatório.
A
realização de caminhadas, por exemplo, ajuda a manter o peso,
lubrificar as articulações, baixar a glicemia e os níveis de
colesterol LDL e triglicéridos, elevando os níveis do colesterol HDL,
o "bom" colesterol.
Os
jogos desportivos, recreativos e programas de exercício têm se
difundido amplamente nos últimos anos em busca de uma melhor qualidade
de vida e um envelhecimento mais saudável. A diminuição e libertação
do stress acumulado nas actividades diárias e o esclarecimento da
importância da actividade contínua é também um factor importante para
o gradativo aumento da busca por uma actividade física na actualidade.
Infelizmente, tais exercícios aumentam o risco de traumas podendo
provocar lesões nos joelhos, tornozelos, ombros, mãos e pés
(tendinites, entorses, dores nos calcanhares, torções, distensões,
contusões e luxações). O tratamento com antiinflamatório torna-se
imperativo, gerando problemas nos pacientes que apresentam alterações
gástricas e muitas vezes não podendo ser utilizado, provocando a
persistência da dor e retardando o retorno do paciente a sua
actividade desportiva.
Os
antiinflamatórios tradicionais (orais) apresentam várias
contra-indicações e restrições ao seu uso principalmente em pacientes
com problemas gastrointestinais, devido aos seus efeitos colaterais.
Apresentando um tratamento alternativo eficaz, seguro e com menos
efeitos colaterais, o Dr. Bradley Galer e colaboradores, do Beth
Israel Medical Center em Nova York, desenvolveram um trabalho
realizado com 222 pacientes, de ambos os sexos, com idade variando
entre os 18 e 78 anos, e que apresentaram traumas desportivos recentes
(máximo de 72 horas), recrutados aleatoriamente através de jornais,
rádios e propagandas, utilizando um curativo tópico contendo o
diclofenaco (antiinflamatório não-esteróide - NSAID), para o
tratamento e alívio da dor no trauma desportivo. Os resultados foram
publicados no “Journal of Pain and Symptom Management”.
O
estudo
Os
pacientes recrutados foram divididos em dois grupos, 50% deles
utilizando o curativo de antiinflamatórios NSAID aplicado directamente
sobre a área traumatizada após limpeza da área, e os outros 50%
curativo de placebo (sem medicamento). Os curativos eram trocados duas
vezes ao dia até o período de 14 dias.
Os
pacientes foram avaliados no 3º, 7º e 14º dias e com relatos diários
quanto à intensidade da dor e alívio experimentados e também foram
monitorizados os efeitos colaterais da utilização do medicamento.
Foram observadas diferenças importantes no 3º e 14º dias de tratamento
entre os grupos quanto ao alívio dos sintomas, não sendo observado
diferença significativa em relação aos efeitos colaterais (alterações
gastrointestinais) entre o grupo que utilizou o curativo tópico NSAID
e o grupo de curativos com placebo.
Segundo o trabalho, o uso do curativo com antiinflamatório tópico
apresentou-se eficiente para redução da dor, tendo como vantagens a
facilidade do uso e a redução de efeitos colaterais que ocorrem com o
uso de antiinflamatório oral (que actua através da circulação
sanguínea como a aspirina e o acetaminofen, podendo causar
complicações gastrointestinais graves), dobrando o risco de
desenvolvimento de úlcera e hemorragias. Estas podem ser, muitas
vezes, potencialmente fatais em alguns pacientes.
O
desenvolvimento desta opção de tratamento traz optimismo como
alternativa importante no alívio dos sintomas do trauma desportivo,
pois o curativo é colocado directamente sobre a área afectada,
passando diretamente para a área da pele que se encontra inflamada sem
entrar de maneira significativa na circulação sanguínea, agindo
directamente onde a dor está sendo gerada, segundo os autores.
Estes resultados abrem também possibilidades para o tratamento de artrite, podendo no futuro ter um papel importante no tratamento de todos os tipos de dores.
Por Marcelo Barros
Fonte: Journal of Pain and Symptom Management 2000;19;287-293
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