O QUE É ASMA ?

   A asma (também conhecida como "bronquite", "bronquite asmática" ou "bronquite alérgica") é uma doença crónica que atinge as vias respiratórias tornando-as hipersensíveis e hiperirritáveis. É muito frequente (ocorre em cerca de 10% da população portuguesa) e pode afectar tanto crianças, quanto adultos, mas é mais frequente nas crianças.

   A palavra asma vem do grego "asthma", que significa "sufocante", "arquejante". Esse termo é utilizado desde os primeiros escritos da medicina.

   Mais do que uma simples doença, a asma é uma reacção das vias aéreas à lesão causada por diversos agentes. A mucosa respiratória, uma vez agredida por um agente (poluição, cigarro, alérgenos, etc.) envia um sinal para a medula óssea para que esta produza células especiais de defesa. A medula interpreta este sinal como se o aparelho respiratório estivesse sendo invadido por parasitas e manda células especiais que provocarão um processo inflamatório nas vias aéreas (brônquios). Esse processo inflamatório é o responsável pelos sintomas de asma (tosse, falta de ar, cansaço, sensação de "aperto" e "chiados" no peito). Este ocasiona edema (inchaço) da parede interna dos brônquios e diminuição da luz (orifício) dificultando a passagem do ar. Os músculos que circundam os brônquios ficam hipersensíveis contraindo-se a qualquer estímulo. A contracção destes músculos (broncoespasmo) pode acentuar ainda mais a obstrução dos brônquios.

   O conhecimento da doença e sobre a doença é caminho para o sucesso no controlo e na terapia.

   Cada pessoa apresenta a "sua" asma, ou seja, os sintomas e as crises variam de pessoa para pessoa, podendo inclusive variar num mesmo indivíduo em diferentes momentos e fases da sua vida.

   Se suspeitar que você ou seu filho (a) tem asma, procure o médico especialista. Ele pode identificar correctamente a doença.

 

ASMA: DA TEÓRIA A PRÁTICA

INTRODUÇÃO:

   A asma é uma das doenças crónicas mais incidentes na infância. É causa importante de absentismo escolar e de limitações para desportos e outras actividades. Entre os adultos representam importante problema, pois frequentemente o seu controlo é difícil e pode estar associada a outras condições de saúde, o que torna mais grave a situação clínica global do paciente. Nos últimos anos, houve enorme progresso não só pelo melhor entendimento dos mecanismos da asma como também pelo surgimento de novos recursos terapêuticos, principalmente nos grupos dos broncodilatadores e dos antiinflamatórios. No entanto, apesar desses progressos, não se observou impacto proporcional na mortalidade e na morbidez da doença.
   No segmento escolar, o professor de educação física encontra crianças e adolescentes que apresentam insuficiência respiratória aguda e que é agravada por uma série de factores.

Conceito:

   Do ponto de vista clínico representa uma obstrução difusa de vias aéreas que é reversível espontaneamente ou com tratamento. Fisiologicamente é uma obstrução de vias aéreas associada à hiperinsuflação e farmacologicamente é uma reactividade exagerada das vias aéreas a estímulos específicos e inespecíficos (HOLGATE,1990).
   Pela definição da AMERICAN THORACIC SOCIETY (1962), a asma é uma doença caracterizada pelo aumento da resposta da traquéia e brônquios a vários estímulos, que se manifesta por um  estreitamento difuso das vias aéreas variando de severidade espontaneamente ou como resultado de terapia. E pela organização mundial de saúde asma é o estreitamento generalizado das vias brônquicas, cuja intensidade pode variar em curto espaço de tempo, seja espontaneamente, seja por efeito de tratamento e que não é causada por enfermidade cardiovascular.

Etiopatologia

   Trata-se de doença de natureza complexa. Sua etiologia é multifactorial e caracterizada pela diversidade de seus sintomas, sendo as manifestações mais comuns em crianças, os problemas respiratórios recorrentes. Pode determinar um comprometimento funcional de repetição irregular que manifesta através de uma hiperreactividade das vias aéreas a diferentes estímulos, levando a crises de broncoespasmo (TEIXEIRA,1990). Na patogenia da asma aceita-se que o brônquio do asmático apresenta uma sensibilidade diferente da população em geral que o leva a reagir diante de determinados estímulos.
   As alterações funcionais características da asma são, de um modo geral, devidas a espasmo da musculatura lisa dos brônquios, edema da mucosa e hipersecrecção brônquica, provocando aumento da resistência das vias aéreas, distribuição irregular do ar inspirado, distúrbios na relação ventilação-perfusão e maior consumo energético durante o trabalho respiratório (TEIXEIRA,1990).
As crises asmáticas podem ter a duração de horas/dias e períodos sem sintomas de dias/meses. A dispnéia é predominantemente expiratória e decorrente dos factores acima apontados. Desses factores, o broncoespasmo e a inflamação das vias aéreas parecem ser os mais importantes, embora não esteja ainda claramente definida a relação entre esta e a reactividade inespecífica das vias aéreas.

Fisiopatologia

   Asma é o exemplo de doença das vias aéreas onde o parênquima pulmonar se apresenta normal. Sua marca fisiológica é a obstrução das vias aéreas com os sintomas característicos do impedimento à movimentação de ar para dentro e para fora dos pulmões. Outra característica é a rápida flutuação no grau de obstrução das vias aéreas (RATTO et all., 1981). Na asma são diversos os locais e mecanismos envolvidos na obstrução e é caracterizada por uma grande variabilidade entre diferentes pessoas, como na mesma pessoa em diferentes ocasiões.
   O desenvolvimento da asma na infância geralmente apresenta uma considerável variação (REES, 1987). Se por um lado há indivíduos em que os factores que a provocam são identificáveis, em outros está associada a características de atopia como rinite e eczema.
   Atopia e asma são geralmente manifestações familiares onde nem todos os indivíduos atópicos desenvolvem asma, assim como nem todos os asmáticos são atópicos, indicando que a herança dessas características é transmitida independentemente (TEIXEIRA,1990). A probabilidade de desenvolver asma aumenta se ocorrerem as duas predisposições genéticas simultaneamente.

Incidência

   A incidência da asma difere de país para país devido às variações geográficas e demográficas.    Geralmente é mais frequente na criança que no adulto. O início da doença se dá, na maioria dos casos, antes dos cinco anos de idade, sendo que um terço dos casos antes dos dois anos de idade.
   Essa incidência permanece mais ou menos constante após a idade de dez anos. Um segundo aumento na frequência, com início na adolescência, ainda não confirmado (RATTO et all., 1981).
   Com relação ao sexo, a incidência maior é entre os rapazes, sendo os mais afectados na relação 2:1 a 3:2. Os rapazes além de apresentarem uma maior freqüência, são os que apresentam maior gravidade da doença. Na adolescência, as raparigas são mais acometidas.

Mecanismo da reação alérgica

   É uma reação imunológica mediada pelo anticorpo IgE que está ligado ao mastócito. É um mediador primário, existem mediadores secundários na patogênese da asma.
Alguns aspectos são muito importantes nesse mecanismo:

a) nos asmáticos a IgE está aumentada;
b) 80% dos mastócitos do tecido pulmonar estão concentrados nas vias aéreas;
c) os mastócitos têm alta afinidade pela IgE; e
d) pequenas quantidades de antígeno são suficientes para causar a reacção.

Portanto, são inúmeras as ligações anticorpos x mastócitos, que estão concentrados nas vias aéreas. Em consequência, quando ocorre o contacto com os alérgenos, a reacção antígeno x anticorpo é exagerada e libera substâncias activas. São essas as substâncias provocadoras de broncoespasmo.

Principais alterações e consequências

   Nas crises de asma o estreitamento das vias aéreas, de pequeno e grande calibre provoca alterações na relação ventilação/perfusão, devido à ventilação não uniforme. A hipoxemia que ocorre devido a esse facto aumenta o estímulo respiratório, que é uma tentativa de aumentar a ventilação, e isso envolve maior gasto energético. O consumo de oxigênio necessário para ventilação pulmonar é menor que 5% do consumo total de oxigénio do organismo, mas nas crises o aumento do trabalho respiratório aumenta a porcentagem dispendida (25% ou mais). Quando isso ocorre, o aumento da ventilação se torna insustentável, sobrevindo a acidose respiratória. Em crises prolongadas causa fadiga da musculatura envolvida na respiração e pode levar à falência respiratória.
   A principal ocorrência da crise de asma é a obstrução generalizada das vias aéreas, sendo que quatro eventos contribuem para essa obstrução:

a) broncoespasmo (aumento do tónus da musculatura lisa do brônquio);
b) hipersecreção (receptores estimulados aumentam a secreção de muco para a luz dos brônquios);
c) edema da mucosa respiratória (mediadores inflamatórios aumentam a permeabilidade vascular);
d) inflamação (mastócitos liberam fatores quimiotáticos que atraem o infiltrado inflamatório celular com eosinófilos e neutrófilos).

   Como consequência, ocorrem também a descamação epitelial (ruptura e subsequente eliminação do epitéllio respiratório) e o espessamento da membrana basal (multiplicação das células epiteliais para repor a membrana que resulta em espessamento).
 

 

 

 

 

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