A importância da reposição dos
electrólitos
Surgem tácticas nutricionais a todo o momento procurando optimizar a performance atlética ou a aquisição de uma melhor aparência física. Devo lembrar que muito dos métodos tidos como funcionais, não são aplicados a todos os indivíduos e, nem tão pouco são realmente saudáveis. Há uns dias atrás, um aluno abordou-me no ginásio dizendo que não comia certo tipo de verdura devido à alta quantidade de sódio existente no alimento em questão. E como ele tinha como objectivo uma maior "definição" muscular, estava a limitar a ingestão de líquidos (na verdade, intercalando em alguns dias da semana, a ingestão de água potável com a de água destilada, aquela que utilizamos no radiador do carro) e evitando a todo custo a utilização do sal de cozinha. Disse ainda, que além de ter adoptado tais medidas, ainda estava a pensar em recorrer aos diuréticos, medicamentos que a ciência já provou propiciar um aumento excessivo na formação e excreção de urina, consequentemente, aumentando também a perda de electrólitos (substâncias inorgânicas conhecidas como minerais que são especiais para as funções celulares normais), principalmente o potássio. Como podem observar acima, um erro no requisito, hidratação, pode acarretar em um desequilíbrio electrolítico e afectar a performance e a saúde do indivíduo. No texto abaixo, será comentada a função dos principais electrólitos relacionados à fisiologia muscular:
SÓDIO: é o principal electrólito no LEC (líquido extracelular). Possui a função especial na manutenção do volume circulante e da circulação e é essencial para a absorção da glicose e pelo transporte de várias substâncias pelo intestino. Não é produzido pelo organismo, sendo adquirido através dos alimentos e, devido a padrões culturais, a sua ingestão é variada, geralmente podendo ser isolada ou associada com temperos para adequar os sabores dos alimentos (Oliveira & Marchini, 2000). Mesmo sabendo-se que a sudorese aumenta a perda de sódio, não é preciso suplementá-lo: uma média saudável seria a ingestão de 500 – 2.400 mg/dia, aproximadamente, ¼ de colher de chá de sal. Quando o esforço for prolongado (+ 04 horas de duração) competições intermitentes, é sugerido consumir a cada 15 minutos uma quantia em volta de 150 ml de bebida desportiva contendo 0,5 – 0,7 g de sódio / litro para repôr as necessidades orgânicas (Kleiner & Robinson, 2002);
POTÁSSIO: é o principal electrólito no LIC (líquido intracelular). É responsável por várias reacções orgânicas: transporte de O2, facilitação da conversão da glicose em glicogênio pelo fígado, auxílio na contracção muscular, regulação da pressão arterial e do equilíbrio hídrico, entre outras (Kleiner & Robinson, 2002 e Oliveira & Marchini, 2000). Também não é produzido no organismo e deve ser adquirido através de alimentos ricos em potássio Aproximadamente, 1.600 – 2.000 mg/dia é o recomendado (Kleiner & Robinson, 2002);
CLORETO: é controlado metabolicamente como o sódio e sua regulação depende principalmente da função renal. É predominante no compartimento extracelular, mas, devido sua difusibilidade, pode difundir-se rapidamente entre os compartimentos intra e extracelular, contribuindo na regulação da pressão osmótica corporal (pressão exercida na água, forçando-a a atravessar a membrana celular), no transporte de gases e na regulação ácido-básica. O cloreto de sódio (sal de cozinha) é a única fonte de cloreto sanguíneo, pois o sódio sanguíneo é obtido através do cloreto ou bicarbonato de sódio, explicando o porquê da menor concentração de cloreto em relação à de sódio (Oliveira & Marchini, 2000).
POSSIVEIS RISCOS QUANTO A MÁ DISPONIBILIDADE DE ELECTRÓLITOS
Já é do conhecimento da grande maioria dos praticantes de actividades físicas e desportivas que uma hidratação inadequada está associada a uma diminuição do desempenho e também a um aumento no risco de distúrbios fisiológicos. Mas com a sudorese (suor) excessiva decorrente da prática desportiva, a ingestão regular de água não é suficiente, principalmente na rehidratação após a mesma, pois, como já citado, a transpiração e a prática desportiva em ambientes quentes proporcionam uma perda muito grande de sódio e os indivíduos ficam susceptíveis a cãimbras musculares e outras reacções indesejadas (Bergeron, 2001).
A sudorese intensa decorrente da prática desportiva requer uma rehidratação eficiente, devido a perda de electrólitos e água pela transpiração. Se deixarmos de repôr essas substâncias, ficará instalado um quadro de deficiência de água e sódio, trazendo consigo uma irritabilidade em algumas terminações nervosas, resultando em contracções espontâneas: as câimbras (Jansen et al, 1990 e Layzer, 1994, apud Bergeron, 2001). Por outro lado, quando ocorre uma diminuição no teor de sódio, assim que o atleta tem a oportunidade de se rehidratar e repôr os electrólitos, a concentração de sódio volta rapidamente a normalidade. Pessoas com sudorese excessiva perdem grandes quantidades de sódio e cloreto, e geralmente, apresentam ingestão diária relativamente baixa ou inadequada dos mesmos (Bergeron, 1996 e Kleiner, 1993, apud Bergeron, 2001). A deficiência de outros minerais, como cálcio, magnésio e potássio também contribuem para a instalação da cãimbra e outros problemas neuromotores, bem como uma falta de treino físico mínimo e a fadiga decorrente a prática desportiva.
Quando ocorre uma sudorese excessiva por várias horas e não é reposto o sódio de forma suficiente ou acontece a ingestão de fluido que não o contenha, como a água, pode instalar-se um quadro de hiponatremia, que se caracteriza por fraqueza, apatia, cefaleia, hipotensão ortostática, taquicardia e choque. Até a pele é afectada: ocorre a diminuição da elasticidade da mesma, e dependendo da quantidade perdida de sódio, pode surgir confusão mental, alucinação e coma. As causas para o surgimento da hiponatremia são: quantidade de suor produzida e as perdas de sódio, a ingestão de água ou outra bebida sem sódio antes, durante e após os exercícios e o sexo do indivíduo: as mulheres possuem uma incidência maior que os homens, possivelmente, devido a uma massa corporal menor, serem susceptíveis a maior retenção de água pelo organismo e por manterem o peso corporal por períodos mais prolongados durante a prática de exercícios de longa duração (Noakes, 1992; Speedy et al., 1999, apud Bergeron, 2001).
Como evitar esses tipos de problemas? A simples adição de sal na alimentação ajuda a prevenir a deficiência de sódio e manter ou restaurar o estado de hidratação. No caso de atletas mais rigorosos com a sua refeição, uma ingestão de 02-03 vezes ao dia de um determinado volume de bebida que contenha quantidades conhecidas de sal, como as bebidas desportivas, juntamente com outros alimentos ou bebidas durante o treino parece ser efectiva. Esta estratégia, quando comparada a um programa que incentiva apenas a ingestão de água, garante uma maior ingestão adicional de fluidos e uma melhor retenção de água devido a presença do sal. Para aqueles atletas que são mais susceptíveis a cãimbras, uma ingestão adicional de sal é recomendada: ½ colher de chá em 100 ml da bebida desportiva (Bergeron, 2001). Mesmo assim, é recomendada uma consulta ao Profissional de Educação Física e ao Nutricionista para a adopção da melhor estratégia, respeitando a intensidade do treino e a dependência individual dos electrólitos envolvidos e a não utilização de recursos ergogénicos que contribuam para a perda de eletrólitos, como os diuréticos.
Em suma, da informação acima, evite seguir "modas" que não contenham embasamento científico e adote uma estratégia de hidratação voltada para a perfomance e, principalmente, visando o alcance da melhor saúde possível.
3Fitness.com
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