Formulação de Objectivos
“Um
objectivo pode definir-se como a obtenção de um padrão específico de
eficiência na execu ção
de uma tarefa, geralmente dentro de um limite de tempo específico.”(Locke,
1981)
Toda a
vida humana é direccionada em função de objectivos. Objectivos que
variam de pessoa para pessoa, que se alteram/evoluem ao longo da vida
e, que abarcam várias dimensões da vida (pessoal, académico,
profissional, desportivo).
No
contexto desportivo a formulação de objectivos constitui uma prática
corrente: “ser campeão”, “atingir a melhor classificação possível”,
“acabar a prova”, entre outros, constituem objectivos formulados por
alguns atletas/praticantes. Assim, a formulação de objectivos é cada
vez mais defendida pelos especialistas da área do desporto.
A
formulação de objectivos (FO) pode ser uma importante força
motivacional que ajuda e influencia positivamente o desempenho dos
atletas. Particularmente quando é realista, pode aumentar o
envolvimento e a implicação do atleta, bem como a confiança na sua
capacidade de realização. Por outro lado pode também desenvolver uma
maior empatia e compreensão que, tem muitas vezes um efeito positivo
no atleta/praticante (Botterill, 1979).
A
utilização da FO parece assentar no facto de proporcionar ao
atleta/praticante, objectivos para os quais ele deve dirigir os seus
esforços, sejam esses objectivos a curto ou a longo prazo. No entanto
nem toda a FO é dirigida para o sucesso imediato. Os objectivos podem
dividir-se em sub-objectivos que, á medida que vão sendo atingidos
com o decorrer do tempo aumentam as probabilidades de se atingir o
objectivo último de sucesso. Isto é, embora os objectivos a longo
prazo sejam importantes, eles só podem ser atingidos se forem
formulados e cumpridos também objectivos a curto prazo, de forma
ordenada e sequencial.
Locke &
Latham (1990, citado por Cruz, 1996) investigaram os resultados de
cerca de 25 anos de investigação das teorias de formulação de
objectivos, concluindo que:
– As
pessoas que procuram atingir objectivos que sejam simultaneamente
específicos e difíceis têm melhor rendimento que as pessoas que não
têm objectivos, que têm objectivos específicos e fáceis ou que têm
objectivos vagos.
– O
“feedback e o envolvimento são importantes moderadores dos efeitos da
formulação de objectivos. Relativamente ao feedback a investigação
demonstrou que:
a)
os objectivos determinam se e até que ponto é que o feedback
afecta o rendimento posterior
b)
os objectivos não controlam efectivamente a acção (a longo
prazo), se os indivíduos não tiverem informação acerca do modo como
estão a progredir em relação aos seus objectivos
c)
os objectivos e o feedback conjuntamente são mais eficazes que
qualquer um deles isoladamente (enquanto o feedback fornece
informação, os objectivos oferecem um padrão para avaliar essa
informação)
d)
a melhoria máxima no rendimento parece ocorrer quando existe(m)
alguma discrepância negativa entre objectivos e rendimento; elevada
insatisfação antecipada com a manutenção de tal discrepância; elevada
percepção de auto-eficácia; e formulação de um grande objectivo para o
rendimento futuro.
3 – O
esforço, a persistência e a direcção constituem os três mecanismos
através dos quais os objectivos afectam o rendimento:
a)
a dificuldade do objectivo regula o grau de esforço e de
persistência demonstrados
b)
os objectivos dirigem a atenção para a acção
c)
quanto mais específico for o objectivo, mais explicitamente é
dirigida a acção.
Em suma,
o estabelecimento e a formulação de objectivos constitui um
instrumento e uma estratégia eficaz. Para além do seu impacto no
rendimento, são claras as vantagens para promover a percepção de
auto-controle nos atletas. “Os objectivos podem clarificar as
expectativas, aumentar a motivação intrínseca e a auto-confiança e
melhorar o rendimento e a qualidade de treino” (Hardy & Crace, 1989).
Por Ana
Carina Marques.
3Fitness.com
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