Segurança da lipoaspiração é examinada

 

Pesquisadores do Centro Médico da Universidade do Sudoeste do Texas, nos Estados Unidos, afirmam ter completado o primeiro estudo compreensivo dos efeitos da lipoaspiração em diferentes partes do corpo, durante e imediatamente após o procedimento. 

O resultado é uma boa notícia para os defensores do tipo mais popular de cirurgia plástica e alternativa cada vez mais popular para perder peso. “A conclusão é que a lipoaspiração é segura”, afirmou o líder da pesquisa, Jeffrey Kenkel. 

“Mas é importante lembrar que nem todo mundo é um bom candidato para o procedimento. Os pacientes devem ser saudáveis e considerados de baixo riscos para passarem por anestesia e cirurgia”, ressalta o cientista. Segundo ele, o procedimento não pode ser recomendado, por exemplo, para pacientes com problemas cardiovasculares ou com pressão arterial alta. 

O estudo, que foi publicado em dois artigos na edição de setembro do periódico Plastic & Reconstructive Surgery, da Sociedade Norte-americana de Cirurgiões Plásticos, analisou o impacto fisiológico da lipoaspiração no coração e pulmões, bem como as mudanças electrolíticas provocadas no corpo. 

Também foi investigado o que ocorre quando a lidocaína e a epinefrina, substâncias administradas durante a lipoaspiração, são metabolizados dentro dos tecidos. De acordo com os cientistas, é fundamental que os níveis do primeiro (um anestésico) e do segundo (vasoconstritor) sejam cuidadosamente monitorados durante o procedimento, para garantir a segurança do paciente. 

Os pesquisadores também examinaram os níveis de lidocaína – um antiarritmico – em diferentes áreas do corpo em pacientes saudáveis durante e após a cirurgia. Os resultados mostraram que o coração, em alguns casos, funcionou num ritmo duas ou três vezes acima do normal, mas tolerado pelos pacientes. 

“Esse é o primeiro estudo a examinar as dinâmicas e farmacocinéticas (processo pelo qual medicamentos são absorvidos, distribuídos, metabolizados e eliminados pelo organismo) de como as substâncias utilizadas durante uma lipoaspiração afectam os tecidos, o sistema pulmonar, o fígado e o coração”, disse Spencer Brown, co-autor da pesquisa. 

“Ninguém havia feito uma microdiálise do tecido durante a cirurgia de lipoaspiração para analisar a fisiologia da lidocaína no corpo. Foi como tirar uma fotografia do que estava ocorrendo do lado de dentro”, afirmou Brown. 

“A proposta do nosso estudo foi confirmar se a lipoaspiração é um procedimento seguro, bem como encontrar maneiras de torná-la mais segura”, disse Kenkel. “Como qualquer procedimento cirúrgico, a lipoaspiração submete o organismo a um nível de stress. Entretanto, se conduzida por um cirurgião competente, em um estabelecimento médico acreditado, ela pode ser considerada uma operação segura.” 

Cerca de 400 mil pessoas nos Estados Unidos, a grande maioria mulheres entre 19 e 50 anos, passam anualmente pelo processo de extracção de gorduras superficiais por punção e aspiração a vácuo. No Brasil, o número é equivalente. 

O estudo também contou com a participação de pesquisadores dos Laboratórios Médicos Mayo, nos Estados Unidos, e da Universidade Goettingen, na Alemanha.