Morte
súbita no desporto
Infelizmente o que me levou a escrever este artigo foi a morte de mais um desportista, Mikos Feher, e para que seja compreendido a causa da sua morte e que seja lembrado que já depois da morte do jogador benfiquista, faleceu mais um jogador de futebol Sueco por morte súbita.
Pois ela está entre nós, e para não esquecer, apelando aos meus colegas uma vez mais, estejam muito atentos nos ginásios onde dão aulas, não permitam abusos de intensidade de esforço nas salas, porque a população para quem prescrevemos os treinos são maioritariamente sedentários activos e estas pessoas têm um menor acompanhamento médico do que um atleta de alta competição.
Pois se, é diagnosticado a tempo qualquer cardiopatia, óptimo, mas se há casos que isso não acontece não estamos livres que aconteça uma morte súbita à nossa frente, embora já tenham acontecido casos destes em health clubs em Portugal, se trabalharmos melhor conseguimos diminuir qualquer probabilidade.
Para quem treina nos ginásios, aceitem e agradeçam as opiniões dadas pelos professores nos health clubs, porque nós apenas queremos que façam desporto em segurança e com saude. E um não de um professor tem um porquê, e uma justificação que é dada para saber porque foi recomendado (exigido) , que aceite uma opinião ou vulga ordem.
Os casos de morte súbita de desportistas põem-nos frente a frente com uma verdade repetida mil vezes: é preciso a prevenção. As vantagens do desporto podem se tornar no pesadelo duma perda quando não apelamos ao conselho médico. E não é necessário ser um desportista profissional para correr este tipo de risco.
De maneira geral, define-se a morte súbita como o falecimento que se produz dentro das 24 horas do aparecimento dos sintomas, sem um pré-aviso que possa dar aos médicos a oportunidade de agir em favor da vida. Não há possibilidades de nenhuma terapêutica para a doença que subjaz, muitas vezes desconhecida pela vítima mesma e outras vezes conhecida, mas sem receber a importância e o cuidado necessários.
A morte súbita pode acontecer numa pessoa qualquer, mas, nos últimos tempos, os casos dessas mortes nos desportistas têm produzido um forte impacto na opinião pública. Também, nas autoridades desportivas das diversas disciplinas, que têm reforçado as medidas de prevenção tendentes a que cada atleta conheça profundamente seu estado de saúde. E não é necessário muito mais para prevenir esse tipo de desgraça, posto que as patologias que subjazem podem ser descobertas com exames médicos.
Equivocadamente, associa-se mais a morte súbita aos desportistas profissionais, quando na verdade acontece com maior frequência nas pessoas que praticam desportos de maneira recreativa. Porquê?
Em geral, o desportista de alto rendimento, seja ele amador ou profissional, tem mais oportunidades de passar por um exame médico exaustivo, que revelará sua compatibilidade ou incompatibilidade com uma prática intensa.
Porque é mais difícil que se apresente morte súbita num desportista de alto rendimento?
Porque são atletas controlados, que -geralmente- já têm vários anos de treino e actuação no desporto e -normalmente- passam por numerosos exames médicos.
Contudo, o seu falecimento convulsionará muito mais a sociedade, posto que eles são conhecidos, publicitados e recebem a atenção de milhares ou milhões de pessoas. Os desportistas mais propensos à morte súbita, podem ser os ciclistas, os futebolistas e os basquetebolistas.
Com certeza, a medicina desportiva é a responsável de evitar a morte súbita num desportista de alto rendimento. No desporto, a medicina deve agir interdisciplinarmente para procurar determinar o estado de saúde e o descobrimento de patologias.
Uma história clínica completa do desportista, começa com uma comprida e profunda anamnese (história médica pessoal). Um questionário onde se revelarão as caraterísticas e antecedentes pessoais e familiares, em base a muitas perguntas:
quais foram as condições do seu
nascimento e crescimento
quais as doenças padecidas na
infância
existência de doenças alérgicas e
antecedentes pessoais, tanto fisiológicos quanto patológicos
a história de vida dos seus pais,
se eles vivem ou a idade que tinham ao morrer e quais foram as
causas, etc.
"Se temos um jogador de ténis de 14 anos ou uma ginasta de 11, é provável que tenham pais jovens. Se eles morreram, é necessário estabelecer a razão: cardiovascular, oncológica, etc. Vamo-nos preparando para fazer muitos exames físicos. Se estes jovens perderam o pai aos cinquenta anos por um acidente vascular, devemos prestar muita atenção. O cardiologista terá a responsabilidade de descartar ou confirmar algumas patologias para fazer um diagnóstico certo. E, caso for necessário, decretar o Não Apto desse desportista para continuar sua carreira."
A partir desse momento, se continua a prática e acontece uma morte súbita, a responsabilidade será dele mesmo, do treinador ou dos pais.
O médico deve investigar muito, especialmente se o desportista abandona o treino com motivos de afogamento, de palpitações, dor no peito, etc. Porque as patologias que levam mais frequentemente à morte súbita são as cardiovasculares, segundo a ordem seguinte:
• Miocardiopatia hipertrófica
obstrutiva. O ventrículo esquerdo, a câmara mais importante do
coração, que impele o sangue em cada sístole, apresenta-se
hipertrofiado de maneira importante. Mas, o perigoso é que se
acompanha duma arritmia muito importante, que toma o controle do
coração ultrapassando o ritmo normal, e é a verdadeira causa da morte
súbita. Essa arritmia desencadeia uma fibrilação ventricular que leva
à paragem cardiaca.
A nadadora olímpica Lisa Buese tem implantado debaixo da sua pele um
sofisticado defibrilador, capaz de impulsionar seu coração quando ele
para.
• Displasia arritmogénica do ventrículo direito. É uma arritmia produzida do outro lado do coração por um ventrículo pequeno, produto dessa patologia pouco frequente, mas que, de maneira qualquer, fica como segunda causa de morte súbita nos desportistas. Também, o problema é um fenómeno eléctrico de arritmia.
• Anomalia congénita das artérias coronárias. A artéria esquerda, que irriga a parte mais importante do sistema, apresenta uma anomalia pela qual rodeia o coração e fica presa pela aorta. Quando um esforço determinado exige o passo de sangue, origina-se uma compressão sobre essa artéria, que pode produzir um enfarte agudo do miocárdio.
• Síndrome de Marfan. Atenção aos atletas muito altos e jovens, com braços, pernas e até dedos muito compridos, cujos polegares -geralmente- ultrapassam a largura da mão. Eles podem ter uma predisposição a sofrer essa síndrome que abrange uma severa anomalia na aorta e artérias periféricas, que podem entrar em colapso. Os problemas visuais podem ser uma advertência, já que se acompanha de anomalias do cristalino.
• Aneurisma cerebral. É importante detectar cefaleias persistentes, as que podem advertir desse desarranjo neurovascular. Geralmente, não se o descobre nos controles de rotina, posto que, a grande maioria dos desportistas, não se submete às ressonâncias magnéticas ou outros exames apropriados para detectar o aneurisma. Mas, o clínico deve poder encaminhar esse descobrimento desde a anamnese. Outras patologias podem produzir uma morte súbita, mas estas são claramente as mais frequentes.
A Medicina continua a ser soberana. No desporto, antes de chegar aos métodos de estudo complementares, capazes de diagnosticar certamente essas patologias, a medicina está a proporcionar as razões para praticá-los. Se fazemos um exame adequado, essas patologias não podem passar inadvertidas.
Por Marcelo Barros
Fontes: "Canadian Academy of Sport Medicine"
"Cafdis - Antidoping"
"Singapore sports Council
3Fitness.com
Adverte-se para o facto de as informações
apresentadas pelo 3Fitness.com se destinarem
apenas a pessoas sem qualquer problema de Saúde.