Nadadores jovens e risco de asma

Os nadadores que usam piscinas cobertas ficam expostos a compostos químicos potencialmente prejudiciais, como o tricloreto de nitrogénio; qual efeito isto poderia ter sobre os pulmões? Novas pesquisas conduzidas por cientistas belgas sugerem que o uso regular por crianças de piscinas cobertas — e a concomitante inalação de gases produzidos por agentes da coloração — esteja associado a uma elevação do risco de asma.

Em três estudos separados, Bernard e colaboradores dosaram os níveis sanguíneos de proteínas específicas do pulmão que reflectem a permeabilidade ou integridade celular da barreira epitelial do pulmão. Foram examinados os efeitos agudos e crónicos da exposição a piscinas cobertas sobre o epitélio pulmonar, bem como a prevalência de asma entre as crianças que nadavam regularmente.

No estudo sobre efeitos crónicos, 226 crianças (média de idades de 10 anos) foram recrutadas de sete escolas elementares em que a frequência à piscina era obrigatória. Foram colhidas amostras de sangue e dosados os níveis de proteínas específicas do pulmão. A exposição cumulativa das crianças à piscina variou de acordo com a quantidade de tempo que passavam na água por semana (trinta a sessenta minutos) e a idade em que começaram a nadar. Os investigadores verificaram que a exposição à piscina era uma variável independente que influenciava consistentemente as concentrações sanguíneas das proteínas específicas do pulmão; mais tempo passado na água correlacionou-se com maior probabilidade de aumento da permeabilidade endotelial.

Os efeitos agudos da exposição a piscinas cobertas foram estudados em 16 crianças (com 5 a 14 anos) e 13 adultos (26 a 47 anos) numa piscina pública. Foram colhidas amostras de sangue de todos os participantes antes que entrassem na área da piscina e novamente duas horas depois do uso da piscina para as crianças; os adultos passavam uma hora à beira da piscina sem nadar, depois nadavam na piscina durante a segunda hora. As concentrações de proteínas específicas do pulmão aumentaram durante o período do estudo; os aumentos entre adultos foram estatisticamente significativos depois de uma hora expostos somente à beira da piscina.

O terceiro estudo foi uma análise retrospectiva de dados de uma pesquisa de prevalência de asma conduzida em Bruxelas, entre 1996 e 1999. O estudo envolveu 1.881 crianças (idades de 7 a 14 anos) que tinham sido recrutadas de quinze escolas primárias urbanas. Os pais responderam a um questionário sobre as condições de saúde de seus filhos, sintomas respiratórios e variáveis ambientais/de estilo de vida. As escolas forneceram informações sobre a frequência à piscina. Com o consentimento dos pais, foi medido o fluxo expiratório de pico (PEF) depois de seis minutos de exercício. Uma diminuição do PEF de 10% ou mais cinco a dez minutos depois do esforço físico indicava broncospasmo significativo induzido pelo exercício. A prevalência total de asma variou de 5,5% a 30,5%, dependendo da escola. A exposição cumulativa à piscina novamente foi a única variável que se correlacionou significativamente com os indicadores de asma (ou seja, a prevalência de sibilos ou outros sintomas respiratórios).

Os autores sugerem uma tendência futura aos desinfectantes sem cloro a fim de minimizar a exposição dos usuários das piscinas a substâncias químicas potencialmente prejudiciais.

O uso de piscinas cobertas pode expor os nadadores a substâncias químicas prejudiciais que poderiam comprometer seus pulmões e aumentar o risco de asma.

Occup Environ Med 2003;60:385-394.

  Asma: da infância à idade adulta

Os pais costumam querer saber quanto tempo a asma persistirá em seus filhos. Num estudo longitudinal e baseado na população feito na Nova Zelândia, as crianças foram inscritas logo depois do nascimento, e elas ou seus pais foram pesquisados sobre eventos respiratórios dos 9 aos 26 anos. Os participantes também foram testados para atopia, hiper-responsividade à metacolina e responsividade aos broncodilatadores em vários momentos.

De 613 participantes que responderam a todas as pesquisas, 51,4% tinham relatado sibilos em pelo menos duas pesquisas até os 26 anos. Nesta idade, 14,5% tinham asma persistente desde o início; do restante, 27,4% relataram jamais ter apresentado sibilos; 21,2% tinham sibilos transitórios (relatados uma vez); 15% estavam livres de sibilos aos 26 anos; 12,4% tinham recidivado (sibilos tinham parado e recorreram); e 9,5% tinham sibilos intermitentes (relatados em algumas avaliações). Dos 168 que tinham relatado remissão, 45,2% recidivaram aos 26 anos. A persistência de sibilos foi relacionada significativamente ao teste cutâneo positivo para ácaros da poeira aos 13 anos de idade, ao sexo feminino, ao tabagismo aos 21 anos de idade e à hiper-responsividade das vias respiratórias. A hiper-responsividade das vias respiratórias, sensibilidade a alérgenos dos ácaros da poeira e idade baixa relacionaram-se significativamente à recidiva.

Comentário: as boas notícias: muitas crianças que sibilam param quando se tornam adultos jovens. As más notícias: cerca de 15% das crianças sibilarão a vida inteira, e cerca de metade daquelas que param de sibilar durante a infância recidivará no início da idade adulta. Resultados de outros estudos indicaram que os filhos de pais asmáticos têm maior probabilidade de sibilar quando ficam mais velhos. Antecedentes familiares de asma, idade baixa quando do início e história de atopia são todos preditores de sibilos na idade adulta. (H. Bauchner, MD)

 

Sulfato de magnésio na crise de asma 

O sulfato de magnésio intravenoso proporciona benefícios adicionais a crianças com asma aguda moderada a grave tratada com broncodilatadores e esteróides, relatam investigadores em recente edição de Archives of Disease in Childhood.

O Dr. D. K. L. Cheuk, da University of Hong Kong, e cols. conduziram meta-análise de ensaios controlados por placebo e randómicos envolvendo um total de 182 crianças. Os estudos avaliaram os efeitos do sulfato de magnésio intravenoso com ou sem beta-2-agonistas inalatórios e esteróides sistémicos em indivíduos com asma aguda atendidos no pronto-socorro.

Não se observou heterogeneidade no resultado primário de hospitalização.

Depois do agrupamento dos resultados, o sulfato de magnésio intravenoso foi eficaz em evitar hospi­talização. A redução do risco absoluto para hospitalização foi de 0,257 (p = 0,0001).

Foi encontrada também melhora significativa nos resultados secundários de testes da função pulmonar no curto prazo e nas pontuações de sintomas clínicos.

Com base em dados existentes, o sulfato de magné­sio intravenoso provavelmente tenha efeito para evitar hospitalização e melhorar o bronco­espasmo e os sintomas clínicos de asma aguda moderada a grave em crianças quando acrescentado a terapias-padrão com broncodila­tadores inalados e esteróides sistémicos.

Arch Dis Child 2004;90:74-77.

 Fonte: Arch Dis Child 2004;90:74-77. Occup Environ Med 2003;60:385-394.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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