O
ombro do atleta
O ombro é uma estrutura bastante complexa que envolve 54 músculos e 5 articulações.
Deverá estar surpreso com os números que foram citados. Mas se pensar que trata-se da estrutura que liga o nosso maior contacto físico com as coisas do mundo, ou seja a mão (e o braço), com o nosso tronco, até que os números não são tão grandes assim. E é exactamente por isso que o ombro tem que ser tão complexo. Ele deve permitir um grau de liberdade de movimentos muito grande, para que se possa chegar com as mãos até onde se queira. Para isso devem existir estruturas muito sofisticadas e especializadas que permitam harmonia de movimentos. Ao mesmo tempo a estabilidade do ombro fica prejudicada devido a este grande grau de mobilidade existente. É neste momento que os músculos passam a ter um papel fundamental de estabilidade, garantindo a integridade da articulação e minimizando a sua degeneração. Cabe lembrar que as alterações de postura da coluna influenciam directamente a mecânica do ombro. Existem músculos que ligam o tronco ao braço que ficam prejudicados na sua função com estas alterações posturais e consequentemente reduzem a estabilidade do ombro. O resultado disso é a fraqueza dos mesmos, que se seguirá de dor na articulação e finalmente inflamação e degeneração.
D = deltoid
S = scapula
SS = supraspinatus muscle
SP = subscapularis muscle
IS = infraspinatus muscle
TM = teres minor
Quando se fala do ombro do atleta, que será submetido a esforços e repetições incontáveis, a estabilidade e a harmonia mecânica são mais importantes ainda. Imagine um nadador com uma postura cifótica (corcunda) que leva o ombro a trabalhar sob impacto, ou seja, compressão dos tendões que passam pelo ombro. Se forem somadas as braçadas que ele realiza no treino, obteremos um número de pelo menos 4 algarismos. Agora pense que cada braçada é uma compressão (esmagamento) dos tendões. O resultado será sem dúvida uma inflamação neste local, que começa com uma tendinite, evolui para uma bursite e pode chegar a uma calcificação.
Uma vez abordado o assunto postura influindo directamente na
condição da saúde do ombro, é importante lembrar que para realizar um
tratamento ao ombro não adianta que o fisioterapeuta actue apenas no
local da dor, ou seja, na consequência. É preciso actuar na origem do
problema, que geralmente deve-se a um desequilíbrio muscular, que
muitas vezes n
ão é especificamente no ombro, mas na musculatura da
coluna por exemplo. É claro que existem os casos em que a causa do
problema no ombro é uma alteração morfológica como um esporão. Nestes
casos o tratamento pode chegar a ser cirúrgico.
Mas voltando ao assunto desequilíbrio muscular, imagine que, apenas um ou dois dos 54 músculos que actuam no ombro estejam fracos (disfunção). Este desequilíbrio funciona com uma reacção em cadeia, pois os músculos íntegros passarão a trabalhar com sobrecarga e entrarão em fadiga precocemente durante a prática desportiva. Esta fadiga pode ocorrer no braço, na coluna e até no próprio ombro. É por isso que as pessoas que tem dor no ombro geralmente sofrem de dores irradiadas para os braços e para a coluna.
Uma abordagem fisioterapeuta do ombro envolve portanto um trabalho detalhado e global para obtenção de bons resultados. Se está a tratar de uma tendinite ou um síndrome do impacto apenas com gelo e ultra-som, saiba que enquanto estiver em repouso vai ficar óptimo. Porém quando voltar aos treinos, com certeza a dor voltará, porque não foi tratada a causa, mas sim a consequência.
Os tratamentos de ombro envolvem exercícios posturais e correctivos da função do ombro para a obtenção de sucesso, caso contrário são apenas paliativos.
Por Marcelo Barros
3Fitness.com
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